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Empreendedorismo

Mercado concorrido é o melhor lugar para começar: por que demanda vale mais que ineditismo

Por Rodrigo Lopes

Mercado concorrido é o melhor lugar para começar: por que demanda vale mais que ineditismo

Toda semana alguém me chega com a mesma frase: "Rodrigo, eu queria entrar nesse mercado, mas já tem muita gente fazendo isso." E quando eu pergunto qual é o plano B, a resposta quase sempre é uma ideia "inédita", "que ninguém faz", "um oceano azul". Aí eu já sei que o cara tem grande chance de quebrar.

Vou ser direto com você, porque é assim que eu gosto de conversar: mercado concorrido não é problema. É o melhor presente que o mercado pode te dar. Concorrência é a prova viva de que existe gente disposta a pagar. E demanda comprovada vale muito mais do que qualquer ideia genial que você teve no banho e ninguém nunca testou.

Por que concorrência é demanda comprovada

Quando você olha um mercado e vê dez, vinte, cem empresas brigando ali dentro, o seu cérebro de empreendedor iniciante interpreta isso como "tá cheio, não cabe mais ninguém". O empreendedor de verdade lê o contrário: "tem dinheiro suficiente circulando aqui pra sustentar dez, vinte, cem empresas".

Pensa comigo. Se existem vários concorrentes lucrando, isso significa três coisas que você nem precisou gastar pra descobrir: existe gente comprando, existe um preço que o mercado aceita pagar, e existe um modelo de negócio que funciona. Você está chegando num lugar onde a parte mais difícil — provar que alguém quer aquilo — já foi resolvida por outros. Você só precisa entrar e fazer melhor.

Concorrência também é o seu melhor professor gratuito. Você abre o Instagram dos concorrentes, vê os anúncios que eles estão rodando, lê os comentários dos clientes, descobre as reclamações que eles não resolvem. Cada concorrente é um relatório de mercado de graça. Eu nunca entrei num negócio sem antes estudar exaustivamente quem já estava lá dentro ganhando dinheiro.

O erro de querer "criar demanda do zero"

Agora vamos ao outro lado, que é onde muita gente se enrola. A ideia "inédita" tem um charme perigoso. Você pensa que vai ser o primeiro, o pioneiro, o gênio que descobriu um mercado virgem. Mas tem um detalhe que ninguém te conta: se ninguém faz, na maioria das vezes é porque ninguém quer comprar.

Eu já vi muita gente boa quebrar tentando criar demanda do zero. O exemplo clássico que eu sempre dou é o do cara que aparece querendo vender gerador de ozônio, purificador milagroso, aquele produto "revolucionário" que ninguém pediu. O sujeito gasta uma fortuna porque, antes de vender, ele precisa primeiro convencer o mercado de que aquele problema existe, depois convencer que a solução dele resolve, e só então tentar vender. São três batalhas, e ele só tinha fôlego pra uma.

Criar demanda do zero é caro, é lento e é arriscado. Você está educando o mercado com o seu dinheiro pra, muitas vezes, o concorrente que vier depois colher. Eu prefiro entrar num mercado onde a demanda já está aquecida e gastar a minha energia onde dá retorno: na execução e na comunicação. Lembra de uma das minhas regras: eu não invento nada, eu conecto quem inventou a roda com quem quer comprar.

Arroz com feijão bem feito + diferencial de comunicação

"Mas Rodrigo, então é só copiar?" Não. É fazer o arroz com feijão bem feito.

A maioria dos negócios não quebra por falta de ideia mirabolante. Quebra por executar mal o básico. Atendimento ruim, entrega atrasada, comunicação amadora, pós-venda inexistente. O seu diferencial num mercado concorrido raramente está no produto em si — está em fazer o trivial com excelência enquanto todo mundo faz porcamente.

E aí entra a peça que eu mais valorizo: a comunicação. Eu tenho uma frase que repito até cansar — numa tela de computador, todo mundo tem o mesmo tamanho. O cliente que abre o seu site e o site do gigante do setor, no celular dele, vê dois quadradinhos do mesmo tamanho. Quem comunica melhor, quem passa mais credibilidade, quem tem a percepção de marca mais forte, ganha. E o melhor: investir em comunicação é barato perto do retorno que dá.

Então a fórmula num mercado disputado é simples de entender e difícil de executar: faça o básico melhor que todo mundo e comunique isso de um jeito que pareça maior, mais profissional e mais confiável que os outros. É aí que você rouba mercado.

O caso dos brinquedos: do porão, superando o gigante

Deixa eu te contar uma história que vivi na pele, porque teoria sem prova é conversa fiada.

Aos 23 anos, eu abri minha primeira empresa formal com meu irmão: comercialização de brinquedos de grande porte pela internet. Capital de R$ 5.000. Estrutura? Um porão. Eu atendia o telefone fazendo voz de "central de atendimento", como se houvesse uma equipe inteira atrás de mim. Não havia. Era eu e o porão.

O mercado já tinha um gigante consolidado, com estrutura, com nome, com tudo o que eu não tinha. Pela lógica do "mercado concorrido é ruim", eu não deveria nem ter entrado. Mas eu sabia que tinha demanda — o gigante estava ali provando isso todo dia. O que eu fiz foi pegar quase todo o meu dinheiro e investir num site de alta percepção, um site que parecia ser de uma empresa muito maior do que a minha realmente era.

Resultado: em três meses, aquele porão já faturava mais que o gigante do setor. Eu não inventei o mercado de brinquedos. Eu entrei num mercado provado, fiz o básico bem feito e comuniquei de um jeito que me fez parecer maior do que eu era. Demanda comprovada + execução + percepção. Foi essa receita, e não uma ideia inédita, que me colocou na frente.

Comece perto e ganhe credibilidade

Tem mais um pedaço dessa história que eu não quero que você perca. Entrar num mercado concorrido não significa querer dominar o país no primeiro mês. Significa começar perto, no seu raio de alcance, onde você consegue entregar bem e construir reputação.

Eu sou fã da ideia do atirador de elite: você tem poucas balas, então cada tiro precisa acertar. Comece pela região que você conhece, pelo público que você consegue atender com excelência, pelas pessoas que vão te dar os primeiros depoimentos verdadeiros. Cada cliente bem atendido vira prova social, e prova social é o que destrava credibilidade num mercado onde você ainda é o novato.

Credibilidade não se compra de uma vez, se acumula. Você faz um trabalho impecável pra cinco clientes, eles falam pra outros cinco, e de repente você não é mais o "novo do porão" — você é uma referência. Foi assim que eu fui de um porão na Zona Leste até estar à frente de um grupo de empresas. Não comecei grande. Comecei perto e fiz bem.

Então, da próxima vez que olhar um mercado lotado e sentir aquele frio na barriga, lembra: aquela lotação é a melhor notícia possível. Tem dinheiro ali. Tem cliente ali. Tem demanda ali. O que falta é alguém que faça o arroz com feijão melhor que os outros e saiba se comunicar. E esse alguém pode ser você.

Quer se destacar num mercado disputado? Vamos acelerar

Se você está num mercado concorrido — ou tem medo de entrar num — e quer transformar essa concorrência em vantagem, é exatamente isso que eu ajudo a fazer: encontrar o seu diferencial de execução e de comunicação pra você crescer mais rápido do que quem chegou antes.

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