Toda vez que o resultado não vem, aparece o mesmo culpado: a crise. O Brasil está em crise, o mercado está difícil, o cliente não tem dinheiro, o governo, o dólar, a taxa de juros. É sempre alguma coisa lá fora. E é aí que eu preciso te falar uma verdade que quase ninguém quer ouvir: crise, na maioria das vezes, é mental.
Não estou dizendo que a economia não existe. Existe. O que eu estou dizendo é que a mesma economia que quebra um cara faz outro crescer. E se dois vivem o mesmo cenário com resultados opostos, o cenário não é a explicação. A explicação está na cabeça de cada um.
Dois Brasis vivendo a mesma economia
Eu voltei de Porto Velho faz pouco tempo. Passei num condomínio e vi mais de 150 casas de alto padrão em obra. Ao mesmo tempo. Em plena "crise".
Enquanto eu ouvia o país inteiro dizer que estava tudo parado, tinha gente construindo casa de alto padrão aos montes. Gente comprando terreno, contratando pedreiro, mestre de obra, comprando material. Movimentando a economia inteira que supostamente estava travada.
Como é que isso acontece? Como é que existe um Brasil quebrado no discurso e um Brasil em obra na prática, ao mesmo tempo, no mesmo lugar? Simples: são dois Brasis vivendo a mesma economia com duas mentalidades diferentes.
Um está esperando a crise passar. O outro está aproveitando que o concorrente parou. Um está economizando energia esperando dia melhor. O outro está construindo enquanto o dia está aí.
A pergunta que eu faço é essa: é o Brasil que está em crise, ou é você que está em crise?
A crise mais cara é a que está na sua cabeça
Existe crise real, claro. Tem setor que apanha, tem momento econômico duro, tem hora que aperta pra todo mundo. Mas repara numa coisa: a crise que mais paralisa as pessoas não é a do noticiário. É a de dentro.
É o cara que decidiu, antes de tentar, que não ia dar. Que baixou a meta porque "o momento não ajuda". Que parou de ligar pro cliente porque "ninguém está comprando". Ele não perdeu pra crise. Ele desistiu e usou a crise de fiador.
Quando você acredita que está em crise, você age como quem está em crise. Você corta investimento na hora errada, você para de vender, você espera. E aí, adivinha? Você entra em crise de verdade. Não porque a economia te derrubou, mas porque você se convenceu de que ia cair e agiu de acordo.
Mentalidade não é papo de autoajuda. Mentalidade é o filtro pelo qual você lê o mesmo fato que todo mundo lê. Dois vendedores recebem o mesmo "não" do cliente. Um entende que o mercado morreu. O outro entende que precisa bater na próxima porta. Mesmo fato, duas leituras, dois futuros.
Ninguém paga a sua conta
Aqui entra a parte que dói. O maior fracassado do mundo é aquele que transfere a responsabilidade do seu momento pra outras pessoas.
Enquanto a culpa for do governo, do mercado, do chefe, do sócio, da crise, você está protegido. Confortável. Não precisa mudar nada, porque o problema é lá fora. O detalhe é que, junto com a culpa, você também terceirizou o poder. Se o problema é dos outros, a solução também é. E aí você fica esperando o mundo mudar pra você melhorar.
Autorresponsabilidade radical é o contrário disso. É assumir que o único responsável pelo seu sucesso é você mesmo. Não porque tudo é culpa sua, mas porque encarar como se fosse é a única postura que te dá poder de agir.
E tem uma frase que eu repito e não vou parar de repetir: ninguém paga a sua conta. Ninguém. Nem o governo, nem o mercado, nem a economia. No fim do mês, a conta chega pra você. Então o resultado também tem que ser problema seu, não do cenário.
O que muda quando você para de reclamar
No dia em que você para de esperar a crise passar e começa a agir dentro dela, o jogo vira. Você percebe que o concorrente que parou te deixou a mesa mais vazia. Que o cliente que está mais criterioso ainda está comprando de alguém, e esse alguém pode ser você. Que enquanto todo mundo economiza energia, sobra espaço pra quem tem gás.
Crise, pra quem tem mentalidade certa, é peneira. Ela tira do jogo quem estava jogando por hábito e não por convicção. E abre clareira pra quem continua construindo.
O cara das 150 casas em Porto Velho não recebeu um memorando dizendo que a crise não valia pra ele. Ele só decidiu construir. Enquanto isso, do outro lado da rua, alguém com a mesma renda e a mesma economia estava explicando pros amigos por que não dava pra fazer nada agora.
Os dois estavam certos. Cada um vai colher exatamente o Brasil em que acreditou.
Então antes de olhar o noticiário pra justificar o seu mês, olha pro espelho e responde com honestidade: a crise está no país, ou está na sua cabeça?
Se você quer parar de reclamar do cenário e começar a construir dentro dele, é disso que eu falo todo dia. Vem comigo.
